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- - Natal: a festa do amor
“Natal se aproxima, é tempo de amor; renasce a esperança de um mundo melhor”!
O verso acima faz parte de uma canção muito cantada pelas comunidades cristãs no tempo do Advento. Nos recorda que o tempo do Natal é tempo de amor. Tempo onde contemplamos o amor da Santíssima Trindade – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – se abrindo para o amor humano.
Sem abandonar o seio da Santíssima Trindade, o Filho de Deus assume a natureza humana na pessoa de Jesus de Nazaré, para nos provar o grande amor que Deus tem para com a humanidade. A partir daí foi fácil para São João escrever às comunidades cristãs da Ásia Menor, que “quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1Jo 4,8). E a prova está em que “não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou, e nos enviou o seu Filho como vítima expiatória por nossos pecados” (1Jo 4,10).
A centralidade da festa do Natal é o encontro da divindade com a humanidade. O Deus que é Amor vem ao encontro da humanidade, “esvaziando-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens” (Fl 2,7). Por isso só acontece Natal onde a festa tiver a presença das manifestações do amor da família de Deus e da família humana. Onde Deus está ausente, mesmo contando com a presença do Papai Noel, não acontece Natal.
Ao assumir a condição humana no seio de uma família, o próprio Deus escolheu e indicou a família como o melhor espaço para fazer acontecer o Natal. A partir dela formam-se os grupos familiares e as comunidades. Deus quis precisar da boa vontade e do acolhimento da Família de Nazaré para nascer no meio de nós como o maior presente da humanidade. Por isso, os espaços privilegiados para celebrar o verdadeiro Natal do Senhor, são as famílias, os grupos familiares e as comunidades de fé.
Convidamos, pois, todo o povo que se deixe tocar pela mensagem central do Natal, acolhendo o Deus que vem como menino/criança. Vamos abrir as portas das nossas casas ao Deus que bate e pede licença para entrar, com o desejo de permanecer no meio de nós. Vamos dar asas ao amor, porque “quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele” (1Jo 4,16).
Desejamos um feliz e abençoado Natal do Senhor a todas as pessoas, famílias, grupos, comunidades e paróquias. Que em todos os recantos se cante “Noite Feliz” e, unidos aos Anjos, entoemos “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens de boa vontade”.
Feliz Natal! - Seguidores e admiradores de Cristo
Qual é a importância dos santos? Eles são nossos intercessores diante do trono de Deus. Mas também e, em primeiro lugar, eles são os grandes modelos para nossa vida. Querem ser nossos guias no caminho para Deus Pai. Agora, de onde os santos tiram a força para viver sua vida de maneira exemplar? Qual é o mistério de sua vida?
O mistério de sua vida chama-se Jesus Cristo. O mistério de sua vida é: seguir a Cristo por todos Seus caminhos. Desde que foram chamados pelo Senhor O seguiram generosa e fielmente, cumprindo sua missão. Muitos, inclusive, foram a países distantes e desconhecidos para anunciar a mensagem de seu Mestre.
Seguir a Cristo é e deve ser o mistério de vida de cada cristão, também de cada um de nós. Porque toda a predicação de Jesus é um convite para segui-Lo, e está dirigida - como sabemos - a cada ser humano. Também nós, em nosso batismo, fomos chamados, pela primeira vez, a imitar Cristo. E desde então, Deus repetiu e renovou esse convite muitas vezes e de muitas maneiras. Também hoje em dia Deus volta a nos chamar de diversas maneiras.
Podemos distinguir duas classes de cristãos: os seguidores e os admiradores de Cristo. O admirador não compromete sua pessoa: admira, olha de fora e não se esforça em ser como o que admira. O seguidor, ao contrário, é ou procura ser o que admira.
Jesus mesmo insiste sempre em que é necessário segui-Lo. Jamais diz que busca admiradores. Deixa bem claro que os Seus devem segui-Lo em sua vida e não só aceitar a doutrina d'Ele. Porque uma fé que não se traduz em vida, não vale nada nem consegue nos proteger da perdição eterna.
Como podemos seguir Jesus? A condição fundamental para a imitação do Senhor é o encontro pessoal com Ele. Para poder e querer segui-Lo temos de conhecê-Lo, olhando Sua vida e escutando Seus ensinamentos. Se não O conhecemos, se não sabemos nada de Sua generosidade, nem de Sua entrega desinteressada, nem de Seu amor desbordante para conosco, nunca vamos ter vontade de segui-Lo verdadeiramente.
Não temos a sorte dos apóstolos de ter nascido em tempos de Jesus. Entretanto existem muitos caminhos, muitos lugares de encontro com Cristo se O buscamos sinceramente. Ali está, por exemplo, na Eucaristia que celebramos juntos. No Evangelho, Jesus fala pessoalmente a cada um de nós. E na comunhão, Ele mesmo nos convida a comer Seu Corpo e tomar Seu Sangue, entrando assim na mais profunda comunhão com Ele.
Seguir Cristo é penetrar no caminho do amor. Mas quem começa a amar, começa a sofrer. E Jesus nunca ocultou que O seguir é duro. Não oferece segurança, mas sim risco. Não nos oferece caminhos de triunfo, mas sim o "fracasso" da cruz, porque quem O segue, aceita também a sorte de Seu Mestre: o sofrimento e a cruz.
Na vida de nossos santos tampouco faltou dor e sofrimento. Aceitaram-nos por amor a Cristo. E seguiram a seu Mestre até a última entrega: coroaram sua vida pelo martírio.
Seguir Cristo inclui sofrimento e cruz, mas também nos enche de uma alegria profunda e uma paz permanente. E no fim do caminho nos espera, em comunhão com todos os santos, a felicidade de Cristo para sempre. - Dia de Finados, celebração da vida e da esperançaNo dia de Finados, costumamos recordar com carinho nossos mortos queridos. Por um lado, poderíamos dizer que nossa saudade, nosso sofrimento e nossas lágrimas são um problema pessoal ou, quando muito, familiar. Por outro, na grande família dos filhos de Deus, a alegria de um membro deve ser a alegria de todos e a dor de um irmão que sofre deve ser compartilhada por toda a comunidade. São Paulo exprimiu esse entrelaçar-se de nossas vidas com uma afirmação que se tornou clássica: “Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram” (Rm 12,15). O poeta inglês John Donne (†1631) expressou de maneira feliz essa necessidade de solidariedade entre os cristãos. Estava doente, de cama, e ouviu os sinos baterem com aquele toque que anunciava a morte de alguém. O poeta perguntou, então, aos que o cercavam: “Por quem os sinos dobram?”, e ele próprio respondeu: “Eles dobram por ti!” Sim, quando morre um membro da comunidade, são todos os seus membros que participam da mesma dor, por se empobrecerem um pouco com a morte dessa pessoa. Os que já fizeram a experiência da perda de um ente querido que enfrentou uma longa doença e os que receberam a inesperada notícia da morte de uma pessoa que lhes era muito cara são capazes de avaliar a extensão da dor de inúmeros irmãos que diariamente vivem e sofrem essas mesmas situações. Em cada cristão que sofre, Cristo continua sua paixão. No mundo atual, são outras as estações da Via Sacra, mas o sofrimento e a dor são uma continuação da dor e do sofrimento vivenciados por nosso Mestre, naquela primeira. É importante saber repartir com todos as muitas lições que aprendemos nessas circunstâncias. É também uma maneira de retribuir o que recebemos daqueles que, ao partirem, deixaram saudades. Eis algumas lições: Entre as inúmeras experiências que se pode fazer, quando perdemos uma pessoa querida, uma das maiores é, sem dúvida, a da bondade de Deus. Nessas horas, devemos tomar consciência de que a vida de cada pessoa que passou em nossos caminhos é um imenso presente que o Senhor nos deu. Através do profeta Isaías, Ele nos diz: “Eu, o Senhor, te chamei... e te peguei pela mão” (Is 42,6). Percebemos Sua presença ao nosso lado pela força que nos dá, pela esperança que renova em nosso coração e pela fé que ilumina esses momentos de dor. Como, então, não sairmos dessa experiência de dor animados e fortalecidos? Outra lição: Deus se faz presente na hora da dor através de parentes e amigos. Diz a Bíblia que “quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro” (Eclo 6,14). Vemos, em tais situações, quantos tesouros temos ao nosso lado! Descobrimos muitas pessoas que também sofrem com tais mortes e, mesmo assim, procuram ser uma presença de bondade junto a nós. Seus gestos de solidariedade não nascem apenas em seus corações. Nascem, em primeiro lugar, no coração do próprio Deus. Mais uma lição: anima-nos a certeza de que “a figura desse mundo passa” (1Cor 7,31). Somos peregrinos. Nossa vida sobre a terra não teria mesmo muito sentido se não desabrochasse em outra vida, que é eterna. Arde, no coração do Pai, o desejo de dizer-nos um dia, face a face, o que falou a seu Filho por ocasião do batismo, no rio Jordão: “Tu és meu filho amado, de ti eu me agrado” (Lc 3,22). Aproveitemos, pois, a graça do dia de Finados! Rezemos por nossos mortos e tomemos consciência do dom que continuam sendo para nós! - A mãe das crianças do Brasil
No dia 12 de outubro celebramos a festa de Nossa Senhora Aparecida, a mãe do povo brasileiro. E como todas as mães, Nossa Senhora tem carinho especial para com seus filhos menores e mais frágeis, que são as crianças. É por isso que a coincidência de datas (dia de Nossa Senhora Aparecida e dia das Crianças) nos leva a dizer que Nossa Senhora Aparecida é a mãe das crianças do Brasil.
Costuma-se dizer que um país que não cuida das suas crianças e dos seus adolescentes está fadado a ter um futuro nada promissor. O mesmo podemos dizer das comunidades cristãs que não zelam pelas suas crianças e pelos seus adolescentes. Elas estão fadadas a desaparecer num futuro não muito distante.
Cuidar das crianças e dos adolescentes como comunidade cristã, pode significar a necessidade de criar ambiente próprio para as crianças nas celebrações. Pode significar a organização da Pastoral da Criança e da Pastoral do Menor. Pode significar a dinamização da Pastoral dos Coroinhas, a qualificação da catequese e a dinamização das celebrações. Cuidar das crianças pode implicar no desenvolvimento de ações com as mães gestantes e com os jovens que se preparam para o casamento.
O exemplo de mãe para os cristãos é Maria, a mãe de Jesus. Entre os inúmeros títulos com os quais ela é invocada, o povo brasileiro a venera como Nossa Senhora Aparecida. A origem da devoção vem do ano de 1717, quando dois pescadores tiraram a imagem enegrecida das águas do rio Paraíba. No encerramento do Congresso Mariano de 1929, de posse da imagem tirada do rio, Nossa Senhora foi proclamada Rainha do Brasil, com o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Em 1931, na presença do presidente Getúlio Vargas, ela foi aclamada como “Rainha e Padroeira do Brasil”. Em 1980, pela Lei nº 6.802, foi decretado feriado nacional no dia 12 de outubro. No mesmo ato, Nossa Senhora Aparecida foi reconhecida oficialmente como padroeira dos católicos do Brasil.
Que a Mãe Aparecida olhe com carinho para o povo brasileiro. Que ela inspire os governantes a promoverem a paz e a justiça social. Ajude os pais a educarem seus filhos nos valores do Evangelho. Ilumine a Igreja a promover ações de solidariedade e a se transformar em “casa e lugar de comunhão”. E que acima de tudo, a Mãe de Aparecida ampare as crianças do Brasil, para que elas possam “crescer em tamanho, sabedoria e graça diante de Deus e dos homens”, a exemplo do seu Filho Jesus de Nazaré.
Dom Canísio Klaus Bispo Diocesano de Santa Cruz do Sul - Setembro, mês da Bíblia
Estamos em setembro, e no Brasil já é uma tradição que este mês seja lembrado como o “Mês da Bíblia”. Setembro foi escolhido pelos Bispos do Brasil como o mês da Bíblia, em razão da festa de São Jerônimo, celebrada no dia 30. São Jerônimo, que viveu entre 340 e 420, foi o secretário do papa Dâmaso e por ele encarregado de revisar a tradução latina da Sagrada Escritura. Essa versão latina feita por São Jerônimo recebeu o nome de Vulgata, que, em latim, significa popular e o seu trabalho é referência nas traduções da Bíblia até os nossos dias.
Ao celebrar o mês da Bíblia, a Igreja nos convida a conhecer mais a fundo a Palavra de Deus, a amá-la, cada vez mais, e a fazer dela, cada dia, uma leitura meditada e rezada. É essencial ao discípulo missionário o contato com a Palavra de Deus para ficar solidamente firmado em Cristo e poder testemunhá-lo no mundo presente, tão necessitado de sua presença. “Desconhecer a Escritura é desconhecer Jesus Cristo e renunciar a anunciá-lo. Se queremos ser discípulos e missionários de Jesus Cristo é indispensável o conhecimento profundo e vivencial da Palavra de Deus. É preciso fundamentar nosso compromisso missionário e toda a nossa vida cristã na rocha da Palavra de Deus” (DA 247).
A Bíblia contém tudo aquilo que Deus quis nos comunicar em relação a nossa salvação. Jesus é o centro e o coração da Bíblia. Em Jesus se cumprem todas as promessas feitas no Antigo Testamento para o Povo de Deus.
Ao lê-la, não devemos nos esquecer que Cristo é o ápice da revelação de Deus. Ele é a Palavra viva de Deus. Todas as palavras da Sagrada Escritura tem seu sentido definitivo Nele, porque é no mistério de sua morte e ressurreição que o plano de Deus para a nossa salvação se cumpre plenamente. - Jornada Mundial da Juventude no Brasil: Rio 2013
O nosso querido Brasil já foi sede de muitos mundiais, da moda, da gastronomia, das artes, esportivos, importantes congressos científicos internacionais, enfim a nossa querida pátria já foi palco de grandes eventos que colocaram o nosso país em evidência. Agora, o Brasil se prepara para receber, em 2013, a Jornada Mundial da Juventude, em 2014 a Copa do Mundo e em 2016 os Jogos Olímpicos. Recordo que em 1997, o papa João Paulo II celebrou o Segundo Encontro Mundial das Famílias no Rio de Janeiro, com dois milhões de pessoas. Quando domingo passado o papa Bento XVI anunciou oficialmente que a Jornada Mundial da Juventude de 2013 será no Rio de Janeiro, todos os jovens que lá estavam e quem acompanhava ao vivo não deixou de se emocionar com essa bela e desafiante notícia. Com certeza é uma bela notícia, mas soma-se uma grande responsabilidade em preparar não só o espaço físico, mas de maneira especial, preparar os corações dos jovens e adultos de todo o Brasil para acolher e conviver durante dez dias, com jovens de todas as latitudes. A jornada não se reduz a um fim de semana. Os jovens estarão chegando ao menos 10 dias antes e serão hospedados e recebidos nas dioceses do Brasil. Terão como missão evangelizar, das mais variadas formas, como também conhecer as realidades da juventude brasileira. Esse intercâmbio é parte integrante da jornada. E aqui aproveito para destacar os 10 conselhos que Bento XVI transmitiu aos jovens em Madrid, durante a JMJ na Espanha:
1.Conversar com Deus; 2.Contar-lhe as penas e alegrias; 3.Não desconfiar de Cristo; 4.Estar alegres: querer ser santos; 5.Deus: tema de conversa com os amigos; 6.No Domingo, ir à Missa; 7.Demonstrar que Deus não é triste; 8.Conhecer a fé; 9.Ajudar: ser útil; 10.Ler a Bíblia.
"O segredo para ter um ‘coração que entenda’ é edificar um coração capaz de escutar. Isto é possível meditando sem cessar a palavra de Deus e permanecendo enraizados nela, mediante o esforço de conhecê-la sempre melhor. Queridos jovens, exorto-vos a adquirir intimidade com a Bíblia, a tê-la à mão, para que seja para vós como uma bússola que indica o caminho a seguir. Lendo-a, aprender eis a conhecer Cristo. São Jerônimo observa a este respeito: ‘O desconhecimento das Escrituras é o desconhecimento de Cristo’". ( Papa Bento XVI )
Dom Anuar Battisti Arcebispo de Maringá - PR - Dia dos Pais - Significado e orações O mês de agosto é o Mês das Vocações. Dentro da vocação familiar, da feliz união entre um homem e uma mulher, nós celebramos a cada segundo domingo de agosto o Dia dos Pais. Equilibrando erros e acertos, os pais têm um papel importante na formação do caráter e no decorrer da vida dos filhos. Os pais acompanham seu crescimento, seu desenvolvimento intelectual e se esforçam para dar aos filhos conforto, boa alimentação, educação de qualidade. E, em geral, procuram orientá-los para que possam enfrentar o mundo, com suas alegrias, com seus dissabores. Acompanham-nos em suas vitórias, em seus fracassos, em suas lutas. É claro que há exceções, mas essas exceções só confirmam a regra porque pais que não se preocupam com seus filhos não estão no seu estado natural, normal. O mundo de hoje apresenta anomalias absurdas. Temos notícia de pais que torturam seus filhos, que os desrespeitam, que espancam ou matam a mãe na presença dos filhos. Mas isso não é o correto, o desejável, a razão pela qual Deus os fez pais. A família – o Lar cristão – Igreja doméstica – Santuário da vida – é a célula básica da sociedade. Deus nos coloca numa família para que nela aprendamos a amar e, porque aprenderemos a amar sem medidas, Ele espera que extravasemos esse amor para a vizinhança, para o bairro, para toda a cidade, para o mundo. Dentro da família, o pai é o apoio, o amparo, a proteção, tal como São José o foi na Sagrada Família. Precisamos de muitas orações pelos pais, para que eles tenham saúde, caráter, amor no coração e para que eles sejam amados e respeitados pelos seus filhos, que se espelharão neles [pais] para construir a própria vida. E, mais importante do que tudo isso, que nossos pais sejam educadores de seus filhos na fé, transmissores da fé católica e deem testemunho de discípulos-missionários de Jesus Cristo. Uma prece especial fazemos pelos pais e avôs que já nos precederam no convívio celeste da comunhão dos santos. Da mesma maneira, aos pais presentes, que Deus abençoe os pais de todo o mundo. Sendo eles abençoados, as famílias o serão e a humanidade poderá conhecer uma vida melhor. - Dia dos AvósEntre as muitas comemorações do mês de julho, celebramos, no dia 26, São Joaquim e Santa Ana, os santos padroeiros dos avós. Eles foram os pais de Maria Santíssima e os avós de Jesus Cristo. A celebração do Dia dos Avós tem como objetivo destacar e promover o papel do vovô e da vovó no seio familiar, onde eles são os suportes afetivos, religiosos e, por vezes, financeiros da família. Quando o tempo dos pais para brincar com os filhos se torna escasso, os avós ocupam seu espaço, oferecendo carinho e afeto para os netos. Quando os pais não conseguem dar aos filhos os brinquedos que estes gostariam de ter, torna-se comum a intervenção dos avós que dão presentes especiais por ocasião do natal, da páscoa e do dia das crianças. No dizer do beato João Paulo II, “os avós são os guardiões da fé, da vida de oração e da educação dos valores cristãos”. Muitas são as pessoas que devem sua iniciação na fé aos avós. Em muitas famílias, são eles que ensinam as primeiras orações às crianças, e é sempre maior o número de crianças que são levadas para a catequese pelas mãos dos avós. Existem coisas que a escola não ensina e que não estão escritas em nenhum livro. Coisas que só a experiência de vida ensina. Celebrar o Dia dos Avós significa celebrar a experiência de vida e reconhecer o valor da sabedoria adquirida no convívio familiar, lugar especial para a aprendizagem das virtudes cristãs. Ao lado dos avós que são felizes com suas famílias, lamentamos a existência de muitos idosos abandonados e mal cuidados. Em vez de receberem o afago dos filhos e netos, são jogados nos cantos das casas ou abandonados em asilos. Até o dinheiro que recebem na aposentadoria é confiscado a muitos deles. No Dia dos Avós, não podemos esquecer deles e, quem sabe, aproveitar o dia para uma mudança de atitude. O espaço e o contexto celebrativo do Dia dos Avós, sem dúvida, é a família, onde eles aparecem como fundamentos e troncos das futuras gerações. A família que valoriza seus ancestrais se torna verdadeiramente um tesouro dos povos, o maior patrimônio da humanidade. A você Vovô e a você Vovó damos os nossos parabéns. Rogamos as bênçãos de Deus para que continuem firmes na saúde e na alegria, servindo a família e a sociedade com sua experiência de fé e vida cristã. Pela intercessão de São Joaquim e Santa Ana, desçam sobre vós as bênçãos de Deus. Amém. - A oração do Pai-Nosso vivenciada a cada diaEstamos hoje diante do pedido dos apóstolos ao Mestre da oração. E Jesus, diferente dos mestres da Lei, estabelece o mais direto diálogo entre o Pai e os filhos. Ensina-lhes a oração mais simples, humilde – todavia – forte e direta que existiu até hoje: o Pai-Nosso. Nela, Jesus nos dá a forma mais eficiente de como devemos nos dirigir a Deus. O nosso Deus não é alguém distante de nós e a quem devemos temer. Ele nos ouve e nos atende porque é o nosso Pai. Assim, em todas as circunstâncias: quer na alegria, quer na tristeza, na paz e na guerra, na fome e na fartura, na saúde e na doença, na fidelidade e infidelidade da pessoa querida, enfim, em tudo – abrindo o nosso coração – devemos invocar ao nosso Pai dizendo: “Pai nosso, que estás no céu, que todos reconheçam que o teu nome é santo. Venha o teu Reino. Que a tua vontade seja feita aqui na terra como é feita no céu!” Jesus mesmo é quem nos ensina a conversar com Deus: ser objetivo em nossas súplicas e não desejar que, por força das nossas muitas palavras, a nossa vontade aconteça. O Pai-Nosso é a oração mais completa porque, objetivamente, nos leva ao louvor, a ter compromisso com a vontade do Pai, a implorar pelas nossas necessidades do dia a dia e, principalmente, a pedir perdão com a garantia de, concretamente, também perdoar aos nossos irmãos e irmãs. E, por último, nos motiva a pedir ao Pai que nos ajude a não cair na tentação do pecado e a nos livrar do mal, que é o demônio. Assim sendo, a nossa oração torna-se um “eco” da oração que Cristo também fez a Deus Pai dando-nos motivação para que nós possamos vivenciá-la no dia a dia da nossa vida. O próprio Jesus nos dá a dica: não usar muitas palavras e simplesmente glorificar o Pai e pedir que o Seu Reino e a Sua vontade aconteçam em nós, na terra, assim como acontece no Céu. Pedir o pão para cada dia, o perdão pelas nossas culpas. Pedir para não cairmos em tentação e para livrar-nos do mal. O Senhor ressalta a necessidade do exercício diário do perdão. E põe uma condição para que a nossa oração seja atendida: “Porque, se vós perdoardes os pecados uns dos outros, o meu Pai, que está no céu, também vos perdoará. Mas, se não os perdoardes, o Pai também não vos perdoará os vossos pecados”. Portanto, posso desafiá-lo dizendo que a prática do perdão é o que faz a diferença. É o que nos distingue dos demais. Como e o que você tem pedido a Deus? Que Ele o ensine a perdoar, sobretudo, as mais difíceis e complicadas pessoas de lidar. Você tem cumprido o que reza no Pai-Nosso? Senão, peça a Deus esta graça. - Maio: mês de MariaAs referências dos Evangelhos e do Atos dos Apóstolos a Maria, Mãe de Jesus, apesar de poucas, deixam ver muito desta privilegiada criatura, escolhida para tão alta missão. São Paulo, na Carta aos Gálatas (4,4), dá a entender claramente que, no pensamento divino de nos enviar o Seu Filho, quando os tempos estivessem maduros, uma Mulher era predestinada a no-Lo dar. Para que se compreenda a presença da Virgem Maria nesta predestinação divina, a Igreja, na festa de 8 de dezembro, aplica à Mãe de Deus aquilo que o livro dos Provérbios (8, 22) diz da sabedoria eterna: "Os abismos não existiam e eu já tinha sido concebida. Nem fontes das águas haviam brotado nem as montanhas se tinham solidificado e eu já fora gerada. Quando se firmavam os céus e se traçava a abóboda por sobre os abismos, lá eu estava junto dele e era seu encanto todos os dias". Era, pois, a predestinada nos planos divinos.
Para se perceber melhor o perfil materno de Nossa Senhora, três passagens bíblicas podem esclarecer isso. A primeira é a das Bodas de Caná, que realça a intercessora. Quando percebeu – o olhar feminino que tudo vê e tudo observa – estar faltando vinho, sussurra no ouvido do Filho sua preocupação e obtém, quase sem pedir, apenas sugerindo, o milagre da transformação da água em generoso vinho. Ela é, de fato, a mãe que se interessa pelos filhos de Deus que são seus filhos.
Outra passagem do Evangelho esclarecedora da personalidade de Maria é a que nos mostra seu silêncio e sua humildade. O anjo a encontra na quietude de sua casa, rezando, para dizer-lhe que fora escolhida por Deus para dar ao mundo o Emanuel, o Salvador. Ela se assusta com a mensagem celeste, porque, na sua humildade, nunca poderia ter pensado em ser escolhida do Altíssimo. Acolhe assim, por vontade divina, a palavra do mensageiro, silenciosamente, sem dizer, nem sequer ao noivo, José, o que nela se realizava. Deus tem o direito de escolher e por isso ela diz apenas o generoso “sim” que a tornou Mãe de Deus.
O terceiro traço de Maria-Mãe é sua corajosa atitude diante do sofrimento. Ao apresentar o seu Jesus no templo, ouve a assustadora profecia do velho Simeão: “Uma espada de dor transpassará a tua alma”. Pouco mais tarde, estreitando ao peito o Menino Jesus, deve fugir para o Egito com o esposo, para que a crueldade de Herodes não atingisse a Criança que – pensava ele, Herodes – lhe poderia roubar o trono. Quando seu Filho tem doze anos, desencontra-se dele e, ao achá-Lo após três dias, queixa-se amorosamente: “Por que fizeste isto? Eu e teu pai te procurávamos, aflitos”. Sua coragem se confirma na Paixão e Crucifixão de Jesus. De pé, ali no Calvário, sofre e associa-se ao sacrifício do Redentor. É a mulher forte, a mãe corajosa e firme, a quem a dor não derruba. De fato, a espada de Simeão lhe atravessara a alma e o coração. É a Senhora das Dores.
Maio, mês dedicado a Nossa Senhora, pela piedade cristã, é um convite para voltarmos nosso olhar a esta Mãe querida para pedir-lhe que abra as mãos maternas em bênção de carinho sobre nossos passos nesta difícil escalada da Jerusalém celeste.
Dom Benedicto de Ulhoa Vieira Arcebispo Emérito de Uberaba - MG
- Viver a Semana Santa
Semana Santa, tempo da misericórdia do Pai, da ternura do Filho e do amor do Espírito Santo. Esta semana chama-se Santa porque nos introduz diretamente no mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. Cada um desses acontecimentos tem um conteúdo eminentemente profético e salvífico. O fiel cristão – verdadeiramente apaixonado por Jesus Cristo – não pode deixar de acompanhar ativamente a Liturgia da Semana Santa. Infelizmente, a maioria dos católicos tem outras preferências na semana mais santa do ano. Não são capazes de “vigiar e orar” uma só hora com Jesus (cf. Mc 14, 37-38). Nós queremos acompanhar os passos de Cristo e sentir de perto o que vai acontecer a nosso melhor Amigo e Salvador, procurando sentir o que Jesus sentia em seu coração ao se aproximar a Hora decisiva de glorificar o Pai. Ele viveu esses dias com mansidão e serenidade na presença do Pai. Seu coração estava inundado por uma imensa ternura para com todos os filhos e filhas de Deus dispersos. Mostremo-nos, pois, solidários a Jesus. Passemos esta última semana de sua vida terrena com Ele, num último gesto de amor e amizade, recolhidos em oração fervorosa e contemplação profunda, de modo que a Páscoa do Senhor seja um dia verdadeiramente “novo” para nós. Ao participarmos da bênção e procissão de ramos, queremos homenagear a Cristo e proclamar publicamente a sua Divina Realeza. No Evangelho lido na Segunda-feira Santa, contemplamos Maria de Betânia ungindo os pés do Mestre com o perfume do amor e da gratidão. Na Terça-feira, Cristo revela o que se passa no coração de Judas Iscariotes. Na Quarta-feira, Mateus relata Cristo celebrando com os Apóstolos a festa da Páscoa judia e a traição de Judas. Na Quinta-feira Santa, pela manhã, é celebrada a Missa Crismal. Esta celebração, que o Bispo concelebra com o seu presbitério e dentro da qual consagra o santo crisma e benze os óleos usados no Batismo e na unção dos enfermos, é a manifestação da comunhão dos presbíteros com o seu Bispo. No período vespertino, inicia-se o Tríduo Sacro. Com a celebração da Missa da Ceia do Senhor (cerimônia do Lava-pés), recordamos a instituição da Eucaristia e do sacerdócio católico, bem como o mandamento do amor com que Cristo nos amou até o fim (cf. Jo 13, 1). A Sexta-feira Santa é o grande dia de luto para a Igreja. Não há Santa Missa, mas celebração da Paixão do Senhor que consta de três partes: liturgia da Palavra, adoração da Cruz e sagrada Comunhão. Vivamos este dia em clima de silêncio e de extrema gratidão, contemplando a morte de Jesus na cruz por nosso amor. O Sábado Santo é dia de oração silenciosa e de profunda contemplação junto ao túmulo de Jesus. São horas de solidão e de saudade... É ocasião para acompanharmos Nossa Senhora da Soledade e as santas mulheres junto ao túmulo de Jesus, sentindo com elas a medida do amor que Cristo suscita nos corações que O conhecem de perto. A Vigília Pascal, “a mãe de todas as vigílias”, na qual a Igreja espera, velando, a Ressurreição de Cristo, compõe-se da liturgia da Luz, da liturgia da Palavra, da liturgia Batismal e da liturgia Eucarística. A participação no Mistério redentor de Cristo leva-nos a ser – no mundo descrente – testemunhas autênticas da Ressurreição de Cristo. Não podemos retardar o anúncio da ressurreição. Que a alegria de Cristo ressuscitado penetre nosso ser, domine nosso pensamento, tome conta de nossos sentimentos e ações. Precisamos de gente que tenha feito experiência da ressurreição. Existe uma única prova de que Cristo tenha ressuscitado: que as pessoas vivam a Sua vida e se amem com o amor com que Ele nos ama... Guiados pela luz do círio pascal, e ressuscitados para uma vida nova de fé, esperança e amor, sejamos testemunhas vivas da Ressurreição do Senhor Jesus. Que a Mãe do Ressuscitado nos aponte o caminho para Jesus Cristo, nosso único Salvador.
Dom Nelson Westrupp Bispo diocesano de Santo André - SP
- Tempo da Quaresma O cuidado com a vida nos remete ao projeto de Deus, sua fonte. Ele é o grande solidário com a causa de nossa realização humana. Não foi à toa que resolveu nos ensinar, de modo humano, a valorizar e descobrir o divino em nós e sua ação humana no trato com todo tipo de vida. A Quaresma é uma oportunidade de grande graça para revermos nossa caminhada existencial à luz do Filho. Ele nos leva ao endereçamento da caminhada terrestre de sentido. É verdadeira vocação para construirmos todo o processo de comunhão com Ele, entre nós e a natureza.
Fazemos penitência, oração, escutamos, seguimos e ensinamos a Palavra de Deus, somos caridosos, promovemos a justiça, reconhecemos e pedimos perdão dos erros e pecados. Tudo é realizado justamente para nos prepararmos mais intensamente para a realização da Páscoa em nós, com a vida nova indicada por Cristo ressuscitado. Não é tempo de tristeza e sim de ponderação e revisão da caminhada. Assim nos imbuimos da alegria de experimentar dentro de nós e na convivência fraterna, a certeza de que nosso esforço para a realização do projeto de Deus vale a pena. Superamos o medo, as tentações, a fixação na prisão do egoísmo e do materialismo. Somos capazes de olhar para a finalidade da vida com os critérios de Cristo.
Neste tempo privilegiado de conversão somos ajudados pela Campanha da Fraternidade. Ela nos ajuda à prática da fé comprometida com o planeta terra, que Deus nos deu para cuidarmos. O tema “Fraternidade e a Vida no Planeta” nos apresenta o desafio de cuidarmos de nossa casa comum. Desleixá-la, agredi-la e arruiná-la é nossa derrota. Fazê-la habitável com respeito é benefício para todos; é prolongarmos nossa vida e sermos gratos ao Criador. Somente mereceremos a vida eterna feliz se vivermos realmente como imagens e semelhanças de Deus. Assim como Ele cuida de tudo, também faremos nossa parte cuidando da terra. O lema “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22) mostra a realidade sofrida da natureza agredida de modo irresponsável pelo ser humano. Precisamos reverter isso. As intempéries da natureza estão nos mostrando nossa agressão à mesma. Precisamos criar uma consciência ecológica de respeito à natureza como dom de Deus. É verdade que a mãe terra nos alimenta. Alguns são gananciosos e exploram a mãe, em detrimento de grandes parcelas que morrem a míngua. O uso da terra e tudo o que ela contém deve ser regulado pela consciência do amor de todos por ela. Sem o amor a Deus nos tornamos altamente egoístas e desrespeitosos para com a natureza.
As cartilhas ou livrinhos da Campanha da Fraternidade, espalhados por todo o Brasil, ajudam-nos a realizá-la com mais proveito, preparando-nos espiritual e comunitariamente para a celebração da Páscoa. Damos o sentido adequado para termos e levarmos a vida nova para todos. A mudança de mentalidade, advinda com a ressurreição de Jesus, nos impulsiona a tratarmos nosso planeta com dedicação e verdadeiro amor. Superamos o pecado, que é uma agressão moral a Deus, ao semelhante e à natureza. Com Cristo superamos todo tipo de tentação e pecado (Cf. Mateus 4,1-11). Vivemos na alegria do amor. Obedecemos ao Senhor e executamos melhor seu projeto. Ele nos mandou dominar à sua semelhança, ou seja, cuidar da terra. - Dia de Nossa Senhora da CandeláriaA origem da devoção à Senhora das Candeias tem os seus começos na festa da apresentação do Menino Jesus no Templo e da purificação de Nossa Senhora, quarenta dias após o seu nascimento (sendo celebrada, portanto, no dia 2 de Fevereiro). De acordo com a tradição mosaica, as parturientes, após darem à luz, ficavam impuras, devendo inibir-se de visitar ao Templo até quarenta dias após o parto; nessa data, deviam apresentar-se diante do sumo-sacerdote, a fim de apresentar o seu sacríficio (um cordeiro e duas pombas ou duas rolas) e assim purificar-se. Desta forma, José e Maria apresentaram-se diante de Simeão para cumprir o seu dever, e este, depois de lhes ter revelado maravilhas acerca do filho que ali lhe traziam, teria-lhes dito: «Agora, Senhor, deixa partir o vosso servo em paz, conforme a Vossa Palavra. Pois os meus olhos viram a Vossa salvação que preparastes diante dos olhos das nações: Luz para aclarar os gentios, e glória de Israel, vosso povo» (Lucas, 2, 29-33).
Com base na festa da Apresentação de Jesus / Purificação da Virgem, nasceu a festa de Nossa Senhora da Purificação; do cântico de São Simeão (conhecido pelas suas primeiras palavras em latim: o Nunc dimittis), que promete que Jesus será a luz que irá aclarar os gentios, nasce o culto em torno de Nossa Senhora das Candeias, cujas festas eram geralmente celebradas com uma procissão de velas, a relembrar o facto.
Aparência
A Virgem da Candelária ou Luz apareceu em uma praia na ilha de Tenerife (Ilhas Canárias, Espanha) em 1400. Os nativos guanches da ilha ficaram com medo dela e tentaram atacá-la, mas suas mãos ficaram paralisadas. A imagem foi guardada em uma caverna, onde, séculos mais tarde, foi construído o Templo e Basílica Real da Candelária (em Candelária). Mais tarde, a devoção se espalhou na América. É santa padroeira das Ilhas Canárias, sob o nome de Nossa Senhora da Candelária.
Invocação e expansão do culto
Nossa Senhora das Candeias era tradicionalmente invocada pelos cegos (como afirma o Padre António Vieira no seu Sermão do Nascimento da Mãe de Deus: «Perguntai aos cegos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora das Candeias [...]»), e tornou-se particularmente cultuada em Portugal a partir do início do século XV; segundo a tradição, deve-se a um português, Pedro Martins, muito devoto de Nossa Senhora, que descobriu uma imagem da Mãe de Deus por entre uma estranha luz, no sítio de Carnide, no termo de Lisboa. Aí se fundou de imediato um convento e igreja a ela dedicada, que conheceu grande incremento devido à acção mecenática da Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I e sua terceira esposa, D. Leonor de Áustria.
A partir daí, a devoção à Senhora das Candeias cresceu, e com a expansão do Império Português, também se dilatou pelas regiões colonizadas, com especial destaque para o Brasil, onde é a santa padroeira da nossa paróquia.
Oração
Ó doce Virgem Maria - verdadeira guardiã da luz do mundo - que iluminais nosso destino com a gaça da vossa onipotência suplicante, que sois a candeia de amor cujo fogo brota do Coração Divino de Jesus.
Ó Nossa Senhora da Candelária, atendei a nossa súplica concedendo-nos o favor da vossa maternal ajuda, pela fortaleza da nossa fé e o bálsamo da confiança, a fim de que possamos um dia gozar convosco as alegrias do céu. Assim seja.
Nossa Senhora da Candelária, iluminai-nos.
- Toda mãe traz os traços de Maria
Ser mãe vem ao encontro da plenitude do ser feminino. Toda mulher é chamada a gerar um novo ser humano, seja física ou espiritualmente. Com Maria, Mãe de Jesus, também foi assim. Ela foi escolhida por Deus para uma gravidez incomum, em que o fruto de seu ventre traria a vida eterna para toda a humanidade. Para isso Nossa Senhora contou com auxílio do Céu, nasceu imaculada, para o propósito divino de ser geradora do Salvador, mas o Pai dotou-a de virtudes naturais que são inerentes ao ser mulher e que, na maior parte dos acontecimentos de sua vida, ela dispôs do que lhe era humano para que o plano do Altíssimo acontecesse. Desde a Anunciação, em que ela abre mão de seus planos de constituir uma família, até o Pentecostes, evento em que ela está firme e perseverante na oração junto aos apóstolos, o ministério de Jesus é marcado pela presença dela. Como então separar Maria do ministério do Cristo? É nesse caminhar junto, dispondo da energia natural ao que é vontade de Deus, que acontece a maternidade espiritual. Ser mãe é ser Maria na vida dos filhos, que não apenas os traz ao mundo, mas os encaminha para sua missão, indicando o que é nobre, justo e verdadeiro. O amor do coração materno as impulsiona a estarem sempre presentes na vida dos filhos, não somente de forma física ou tomando-os como propriedades, mas vislumbrando na maternidade de Maria, como educar para o crescimento em estatura, sabedoria e graça diante de Deus e diante dos homens. O grande milagre da vida realiza-se quando o sopro amoroso da existência, vindo de Deus, perpassa o ser de alguém que se desfaz de si para elevar o pequeno e indefeso até a grandiosidade de sua missão neste mundo. Se foi tão importante para Nosso Salvador Jesus Cristo ter a presença materna até a vinda do Espírito Santo é porque o amor materno é capaz de apoiar os filhos de forma extraordinária na realização de um desígnio de vida. Obrigado a todas as mães por serem Maria em nossas vidas!
Um feliz Dia das Mães e abençoado mês de Maria. - Testemunhar a RessurreiçãoA fé esclarecida leva a pessoa a seguir a Cristo por Ele mesmo, superando a busca da religião por puro interesse de solução de problemas materiais, psicológicos, familiares, eclesiais e sociais. O fundamento da fé se dá na ressurreição do Filho de Deus. Testemunhar a ressurreição se torna nossa missão primeira. “Nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez na terra dos judeus... Eles o mataram, pregando-o numa cruz. Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia” (Atos 10, 39-40). A celebração da Páscoa de Jesus é mais do que uma alegria de um dia ou um período. É aceitar a vida, com tudo o que segreda e mostra, assumindo o sentido último da mesma. Paulo nos aponta essa meta. “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto... aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres (Colossenses 3, 1-2). Nessa direção se faz cada dia a Páscoa, ou seja, se encara a vida com o sentido provisório que ela tem na terra. Esta caminhada presente por si mesma tem grande valia se a soubermos enfrentar com o seguimento do exemplo do Divino Mestre. A Campanha da Fraternidade nos lembra, neste ano, o quanto é importante saber usar dos bens materiais para promovermos a vida, a justiça, o bem comum, a inclusão social, a superação do egoísmo com os malefícios da corrupção, do enriquecimento como finalidade da vida, o uso do dinheiro desfocalizado do sentido do amor a Deus e ao semelhante... Testemunhar a vida nova, assumida com a celebração da ressurreição de Jesus, faz a pessoa de fé mudar de vida, tendo intimidade real e diuturna com Deus, a ponto de dar sentido a tudo o que faz. A pessoa respira o bem. Sabe dialogar, perdoar, incentivar os outros. Torna-se feliz porque sabe que está realizando o que o próprio Cristo pede. Colabora com a transformação social. Une-se a causas de promoção da justiça e da dignidade humana. Não se conforma com o mal. Tudo faz para servir a Deus no semelhante. A religiosidade da pessoa que faz a Páscoa com Cristo não a deixa abalar na fé por maus exemplos de outros. Pelo contrário, procura testemunhar sua adesão ao projeto cristão com determinação, coragem, entusiasmo e perseverança. Afinal, sabe que tem de prestar contas é a Deus e não aos outros. Testemunha a verdade com a prática da caridade e do serviço ao semelhante, à Igreja e à sociedade. Não muda de fé, nem de religião, aconteça o que for, pois, o ser humano é pecador por natureza. Quem tem fé esclarecida segue o próprio caminho coerente com a mesma, ajudando as pessoas mais frágeis na fé. Colabora com a melhoria de sua comunidade religiosa e da sociedade! Se Cristo ressuscitou, não temos motivo para o desânimo, mesmo que o mundo desmorone, pois, temos a certeza de que Ele está conosco e nos ajuda a realizar seu projeto de vida para também obtermos a vitória contra o mal. O egoísmo e todo tipo de ruindade são controlados. Com Cristo vencemos. A última palavra é a vitória sobre a morte! - Semana SantaEstamos agora no Tríduo Pascal. A Quaresma, iniciada na Quarta-feira de Cinzas, se conclui na Quinta-feira Santa, antes da Missa da Ceia do Senhor. Com esta Missa iniciamos o Tríduo Pascal que, como nos recorda a Igreja, “não é preparação do Domingo da Ressurreição, mas é, segundo as palavras de Santo Agostinho, o sacratíssimo Tríduo do Crucificado, Sepultado e Ressuscitado”. Ainda mais: “o Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor, que começa com a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, possui o seu centro na Vigília Pascal e encerra-se com as Vésperas do Domingo da Ressurreição”. “É o ápice do ano litúrgico porque celebra a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus pelo seu mistério pascal, quando, morrendo, destruiu a nossa morte e, ressuscitando, renovou a vida”. Neste Ano Sacerdotal que estamos por findar, vamos refletir sobre a Quinta-feira Santa, dia tão importante para a unidade presbiteral. Pela manhã, em nossas catedrais, celebramos a chamada Missa do Crisma, na qual os sacerdotes renovam os seus compromissos e levam para suas comunidades os Santos Óleos, abençoados e consagrados, para a administração dos sacramentos durante o ano, também como sinal de unidade. Na Quinta-feira Santa à tarde, quando se inicia o Tríduo Pascal, a Igreja celebra a instituição do maior dos sacramentos, a Eucaristia. É o sacramento do amor – sacramentum caritatis. A oferta de Jesus na cruz foi sacramentalmente antecipada na Última Ceia pelas palavras do Divino Mestre sobre o pão e sobre o vinho, respectivamente: Isto é o meu corpo entregue. Este é o cálice do meu sangue, o sangue da Nova e Eterna Aliança, derramado... Jesus, com efeito, ordenou aos Apóstolos que, repetindo o seu gesto, celebrassem sacramentalmente o Seu sacrifício ao longo da história da Igreja. A Igreja, na verdade, recebeu a ordem de celebrar a Eucaristia como um verdadeiro dom, um presente inestimável de Deus. Pela Eucaristia, a Igreja é associada ao sacrifício redentor de Cristo em favor da salvação do mundo. Pela Eucaristia, a presença de Jesus à Igreja se realiza de um modo intenso e extraordinário. Pela Eucaristia, o Povo de Deus a caminho é alimentado e fortalecido com o Pão do Céu. Vemos, assim, a importância da nossa participação anual nessa celebração e a alegria de celebrá-la solenemente aos domingos e dias de semana. Esse grande dom que o Senhor nos concede, alimentando-nos com Seu Corpo e Seu Sangue, também nos fala pelas Escrituras e nos une em comunidade de fé como irmãos e irmãs – e nos envia ao mundo com a missão de anunciar a todos a Boa Notícia. As celebrações da Paixão e Morte do Senhor na Sexta Feira Santa e grande Vigília Pascal, quando renovamos as promessas batismais, completarão esse importante tríduo sacro, centro de nosso ano litúrgico. Somos todos convidados a “fazer Páscoa”, participando com nossas comunidades desses momentos marcantes de nossa vida católica. Ao iniciarmos com esta celebração da Ceia do Senhor as celebrações pascais deste ano, vamos desejar que a Páscoa que ora vivemos possa iluminar todos os momentos de nossas vidas e ser o centro de toda a nossa história. Ter a certeza de que, com Cristo, passamos da morte para a vida, e na madrugada do primeiro dia da semana, iremos, também nós, anunciar ao mundo a grande notícia: o Senhor está vivo, Ele está conosco, Ele Ressuscitou! Aleluia! Feliz Páscoa a todos! - Quaresma, a caminho da Páscoa Não entenderíamos a Quaresma se não pensássemos na Páscoa. Fazemos um caminho para alcançar uma meta. Sem objetivo o nosso caminhar fica cansativo e é arriscado parar no meio, ou procurar atalhos e desvios mais atrativos. O acontecimento da Páscoa é o centro da fé cristã. Doutrinas e normas somente se entendem a partir da novidade da Páscoa de Jesus. A sua morte na cruz e a sua ressurreição foram o primeiro anúncio dos apóstolos após a chegada do Espírito Santo, no dia de Pentecostes. Eles tiveram a coragem de gritar ao mundo o que tinha acontecido. Alguns acreditaram e mudaram de vida porque descobriram um novo sentido para a existência deles. Outros, na liberdade da busca, continuaram por outros caminhos. É justamente para nos ajudar sempre a entender e a acreditar de maneira nova e melhor na Páscoa de Jesus, com mais entusiasmo e alegria, que a Igreja nos convida a viver intensamente o tempo da Quaresma. Quarenta dias para “refazer” um caminho. Para nos deixar questionar novamente pelo evento pascal. Aliás esta é a prova se acreditamos ou não, de verdade, e não somos meros seguidores de um costume herdado, mas talvez nunca questionado, ou nunca escolhido com a seriedade que merece. Começamos a Quaresma com o sinal das cinzas em nossas cabeças. Apesar de querermos esconder a verdade e nos deixarmos seduzir por muitas conversas e propagandas, estamos todos conscientes da nossa realidade mortal. As cinzas nos lembram a precariedade da vida. Não somos tão poderosos como pensamos ser e menos ainda imortais. Por mais que brilhe a nossa estrela, não brilhará para sempre. Contudo não é para ficar tristes e nem desesperados. Um comportamento assim seria a conseqüência lógica de quem não tem fé e não enxerga nada além do túmulo. Ao contrário, tomar consciência da nossa transitoriedade nos obriga e estimula a viver bem a vida dando-lhe um sentido profundo que nos faça, inclusive, ser felizes agora e sempre. A Igreja católica propõe, por meio do Evangelho proclamado na quarta-feira de cinzas, três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias de sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que exista justiça, a paz e o amor em toda a humanidade. Os cristãos devem então recolher-se para a reflexão para se aproximar de Deus. Esta busca inclui a oração, a penitência e a caridade, esta última como uma conseqüência da penitência. Ainda é costume jejuar na Quaresma, ainda que ele seja válido em qualquer época do ano. A igreja propõe o jejum principalmente como forma de sacrifício, mas também como uma maneira de educar-se, de ir percebendo que, o que o ser humano mais necessita é de Deus. Desta forma se justifica as demais abstinências, elas têm a mesma função. O jejum, assim como todas as penitências, é visto pela igreja como uma forma de educação no sentido de se privar de algo e reverte-lo em serviços de amor, em práticas de caridade. O percurso da Quaresma é acompanhado pela realização da Campanha da Fraternidade – a maior campanha da solidariedade do mundo cristão. Cada ano é contemplado um tema urgente e necessário. Este ano o tema é “Economia e Vida” e o lema “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro (Mt 6, 24)”. A Campanha da Fraternidade é um instrumento para desenvolver o espírito quaresmal de conversão e renovação interior a partir da realização da ação comunitária, que para os católicos, é a verdadeira penitência que Deus quer em preparação da Páscoa. Ela ajuda na tarefa de colocar em prática a caridade e ajuda ao próximo. É um modo criativo de concretizar o exercício pastoral de conjunto, visando a transformação das injustiças sociais. Desta forma, a Campanha da Fraternidade é maneira que a Igreja no Brasil celebra a quaresma em preparação à Páscoa. Ela dá ao tempo quaresmal uma dimensão histórica, humana, encarnada e principalmente comprometida com as questões específicas de nosso povo, como atividade essencial ligada à Páscoa do Senhor. - Dia de ReisNo dia 6 de janeiro a Igreja celebra a festa da manifestação do Senhor (Epifania). O Catecismo da Igreja nos ensina que “a Epifania é a manifestação de Jesus como Messias de Israel, Filho de Deus e Salvador do mundo. Com o Batismo de Jesus no Jordão e com as bodas de Caná, ela celebra a adoração de Jesus pelos magos vindos do Oriente” (Mt 2,1). Nesses “magos”, representantes das religiões pagãs circunvizinhas, o Evangelho vê as primícias das nações que acolhem a Boa Nova da salvação pela Encarnação. A vinda dos magos a Jerusalém para “prestar homenagem ao Rei dos Judeus” mostra que eles procuram Israel, à luz messiânica da estrela de Davi, aquele que será o Rei das nações. A Igreja nos ensina que em primeiro lugar Jesus Menino se apresentou a seu povo Judeu na figura dos Pastores de Belém que, avisados pelos Anjos, foram adorar o Deus Menino em Belém. Em seguida, Ele quis se manifestar (Epifania) aos pagãos, para mostrar que Ele veio para reinar sobre toda a humanidade e salvar a todos. Os pagãos estão representados nos misteriosos Reis Magos, que deviam ser reis de cidades orientais, como havia muitos antigamente. Naquele tempo, o mundo inteiro, em particular o mundo oriental, esperava uma nova era para todas as nações e julgava-se que essa era tivesse origem na Palestina. Os Magos meditavam talvez nessa crença, quando viram resplandecer no céu uma estrela em direção à Palestina. Eles vieram com seus séqüitos, camelos, servos e muitos presentes para oferecer ao Rei de Israel. Em Belém os Magos Baltazar, Gaspar e Melquior encontraram o Menino e seus pais; e não se decepcionaram com a pobreza e simplicidade. Certamente poderiam questionar que tipo de Rei é esse que nasce numa manjedoura e não em um berço de ouro. É belo perceber como a fé sustentou a convicção deles. Deixaram que Deus os guiasse. Sem duvidar, adoraram o Menino e lhe ofereceram ouro, incenso e Mirra. O ouro é dado ao Rei; significa a sabedoria celeste. O incenso é oferecido a Deus; significa a oração devota. A mirra significa a mortificação da carne. Assim como a Estrela guiou os Reis Magos até Jesus, a fé deve nos levar até Ele todos os momentos da vida, para que esta tenha sentido. Disse o Papa João Paulo II, na encíclica “Redemptor Hominis”, que “o homem que não conhece Jesus Cristo permanece para si mesmo um desconhecido; um mistério inexplicável, um enigma insondável”. Este vive sem rumo, sem meta, sem sentido, sem saber o valor da vida, sem saber o sentido da dor, da prece, da morte e da vida eterna. Que a Estrela da fé guie cada um de nós até esta Gruta Sagrada onde na pobre manjedoura descansa em paz o Príncipe da Paz, o Deus Forte, a Luz do Mundo, o Caminho, a Verdade e a Vida. - Um menino nos foi dado“Ela deu à luz seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia naquela região uns pastores que passavam a noite nos campos, tomando conta do seu rebanho. Um anjo do Senhor lhes apareceu e a glória do Senhor os envolveu de luz. Os pastores ficaram com muito medo. O anjo então lhes disse: “Não tenhais medo! Eu vos trago uma Boa Nova de uma alegria que será também de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor! E isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido, envolto em faixas e deitado em uma manjedoura. De repente, juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste cantando a Deus: “Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos seres humanos por Ele amados”(Lc 2,7-14). Recebemos como dom um menino. O menino nos veio da ação criadora do Espírito, que o gerou no seio puríssimo de Maria sempre virgem. Nascendo de uma virgem pela ação do Espírito, fica claro que ele é um verdadeiro presente de Deus à humanidade, um presente que a humanidade jamais poderia dar-se a si mesma. Ele veio do alto. Nasceu de uma mulher porque é plenamente humano. Mas nasceu de uma virgem para significar que sua morada entre nós supera radicalmente as nossas possibilidades ou as nossas forças e mesmo as nossas expectativas. O mistério de Deus é grande, é por demais profundo! Nossas pobres palavras podem apenas balbuciá-lo. “Senhor, estupendas são as vossas obras! E quão profundos os vossos desígnios!” (Sl 91,6). Ele veio restaurar a criação e levá-la à plenitude do Reino de Deus. Veio libertar-nos do pecado e da morte e de todos os males e garantir-nos a vida verdadeira. Veio apontar-nos o caminho para a comunhão de vida com o próprio Deus, Trindade Santíssima, fonte de toda felicidade e paz. A verdadeira comunhão com Deus gera e sustenta em nós a autêntica comunhão com nossos semelhantes e com toda a criação. No mistério do menino, é Deus mesmo quem visita seu povo. A celebração do Natal deve levar-nos à contemplação piedosa da extraordinária caridade manifestada no nascimento de Belém. O Todo-Poderoso se faz uma frágil e indefesa criança; o Imenso, que nada pode conter, é reclinado numa manjedoura; Aquele que com seu braço forte rege o universo inteiro é acolhido e conduzido pelas mãos humanas; o Todo se esconde no fragmento; o Invisível se mostra visivelmente; Aquele que habita uma luz inacessível coloca-se ao nosso alcance! Ele é o “rosto humano de Deus”! Como não reconhecer que estas coisas extraordinárias aconteceram porque Deus ama loucamente e sem medidas a sua criatura, a cada um de nós em particular? A contemplação do mistério de Deus, manifestado no nascimento do menino, não pode deixar-nos indiferentes. Se Deus nos ama tanto, como não amá-lo também? O amor, ensina São Paulo, é o “vínculo da perfeição” (Cl 3,14). Deus nos ama por primeiro (cf. IJo 4,19). Recebendo o seu amor em nossa vida, somos purificados e renovados para amá-Lo como convém e, n’Ele, amar nosso próximo com verdadeiro amor-doação. O amor vence nosso orgulho e nos abre para a infinitude da Verdade, do Bem e da Beleza, o que enche de alegria nossa vida e dá sentido a nosso caminho. Sendo mistério de caridade, o Natal deve suscitar em nós o amor que renova todas as coisas. Só no amor podemos construir, pois o amor é positivo. Ao celebrarmos o Natal, tendo os olhos fixos no Menino-Deus, podemos exclamar com as palavras de São João: “Deus é amor” (1Jo 4,8)! É importante que celebremos com nossas comunidades esse Mistério da Encarnação para que, verdadeiramente, possamos celebrar como cristãos o Natal do Senhor! Que a nossa participação na liturgia seja consciente, piedosa e repleta de admiração pelo mistério celebrado! Que em nossa vida, aquilo que de Deus recebemos seja compartilhado com nossos irmãos! A todos um santo e feliz Natal! - Sagrado Coração de Jesus
Sagrado Coração de Jesus
O mês de junho é dedicado ao Sagrado Coração de Jesus e, falar do Coração de Jesus é falar de amor, do Amor mais puro e verdadeiro que podemos imaginar. O próprio Jesus quis revelar ao mundo, através de Santa Margarida Maria Alacoque, que seu coração tão ultrajado, humilhado e cercado de espinhos, pulsa e chora de amor, de compaixão e de misericórdia por todos nós. Sofre por muitos terem esquecido sua grande prova de amor, a de morrer numa cruz pela redenção de nossos pecados e por não reconhecerem, na Eucaristia, Sua presença viva. Jesus escolheu uma humilde freira para lhe pedir que propagasse a devoção ao Seu Sagrado Coração, para revelar ao mundo que Seu Coração é repleto de caridade e que quer derramar ainda muitas graças sobre nossas vidas. Ele mesmo diz que, de Seu Coração, brotam sem cessar três canais de graças: “O primeiro é a da misericórdia para com os pecadores, sobre os quais infunde o espírito de contrição e de penitência. O segundo é a da caridade, para auxílio de quantos padecem tribulações e em especial dos que aspiram à perfeição, a fim de que superem todas as dificuldades. O terceiro é de amor e luz para os seus amigos perfeitos que deseja unir a Si para a fim de que eles se consagrem inteiramente a promover a sua glória, cada um a sua maneira”. (S. Margarida Maria Alacoque, Vie et Oeuvres). Deste lindo e Divino Coração e do coração humilde de Santa Margarida, nasce o oferecimento ao Sagrado Coração de Jesus, que somos convidados a fazer neste e em todo momento de nossas vidas: “Ofereço-Vos, ó meu Deus, em união com o Santíssimo Coração de Jesus, por meio do Coração Imaculado de Maria, as orações, obras, sofrimentos e alegrias deste dia, em reparação de nossas ofensas e por todas as intenções pelas quais o mesmo Divino Coração está continuamente intercedendo e sacrificando-se em nossos altares.” Jesus ainda faz à Santa Margarida, 12 promessas em favor dos seus devotos: 1. Darei às almas dedicadas a meu Coração todas as graças necessárias ao seu estado. 2. Farei reinar a paz em suas famílias. 3. Eu os consolarei em suas penas. 4. Serei seu refúgio seguro durante a vida e, sobretudo, na hora da morte. 5. Derramarei copiosas bênçãos sobre todas as suas empresas. 6. Os pecadores acharão em meu Coração a fonte e o oceano infinito da misericórdia. 7. As almas tíbias se tornarão fervorosas. 8. As almas fervorosas elevar-se-ão rapidamente a uma grande perfeição. 9. Abençoarei as casas em que se achar exposta e for venerada a imagem do meu Coração. 10. Darei aos sacerdotes o dom de tocar os corações mais endurecidos. 11. As pessoas que propagarem esta devoção terão seus nomes escritos indelevelmente no meu Coração. 12. O amor todo-poderoso do meu Coração concederá a graça da perseverança final a todos os que comungarem na 1ª sexta-feira do mês, por nove meses seguidos. Conhecer esta devoção faz com que algo dentro de nós mude. Faz com que tenhamos vontade de agradar o Coração de Jesus. Saber que Ele ainda sofre com tanto desprezo e indiferença nos leva a pensar que a responsabilidade também é nossa. O que eu posso fazer para agradar o Coração de Jesus hoje? Será que eu também não O estou ferindo? Quando assistimos aos filmes que retratam a história de Jesus, geralmente ficamos inconformados e revoltados ao ver Jesus ser abandonado por todos os que O seguiam e O amavam e por todos que Ele também amava verdadeiramente. Qual não deve ter sido a solidão que Jesus sentiu lá no Horto das Oliveiras e mais ainda na Cruz? Onde estavam seus discípulos? Por que não reagiram e permitiram que Jesus morresse tão só? No entanto, nas revelações de Jesus à Santa Margarida Maria Alacoque e também à outros santos e santas, devemos refletir sobre o que acontece hoje. Será que somos muito diferentes daqueles que estiveram à margem do Calvário? Será que somos melhores do que seus discípulos que fugiram de medo? Será que estamos longe de agir como o centurião romano que fere o lado de Jesus com a lança? A verdade que dói é que, cada vez que nos esquecemos do Amor que Jesus tem por nós, que não seguimos Seus mandamentos, que O esquecemos no Altar e que não O adoramos, nos assemelhamos a todos aqueles que feriram Jesus quando esteve aqui pela primeira vez. Convido você ainda, a conhecer o Apostolado da Oração, um grupo de corações cristãos unidos ao Coração de Jesus, que busca transformar suas vidas em súplica e reparação. Dedicam-se à oração, à adoração ao Santíssimo Sacramento e em obras de misericórdia, buscando assim, reparar os pecados cometidos contra o Santíssimo Coração de Jesus e edificar o Corpo de Cristo. Não devemos cansar de pedir perdão, de adorá-Lo e de rezar esta simples, mas profunda oração: “Jesus, manso e humilde de Coração, fazei nosso coração semelhante ao Vosso.” Que possamos, através de uma vida de oração e adoração, experimentar as obras que Jesus quer operar em nossas vidas e daqueles que amamos!
Fiquem com Deus, Thaís Sindice Fazenda Coelho |
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Segunda à sexta
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